Elijanique Savil
Era para ser só uma temporada breve.
Coisa de um dia ou dois. Tinha uns negócios de urgência máxima que me conduziram àquela cidade. Liguei para a Albertina solicitando pouso em sua residência. Ela jamais negaria qualquer coisa a um velho amigo.
Ali estava eu. Sozinho na capital, fazendo malabarismos para acomodar as malas em uma das mãos, enquanto destrinchava com a outra o complicado endereço da Tina.
A fila do ônibus estava enorme e eu me atrapalhei um pouco para conseguir devolver o endereço ao bolso traseiro, seu apartamento improvisado, já que seria impossível lançar mão da carteira novamente.
Foi então que um AVIÃO executivo de primeira linha passou voando baixo e cruzou meu caminho. Justamente quando eu levantava minha mão livre para alcançar o apoio na porta da circular. Minha assanhada mão roçou levemente, e sem querer, aquela carne macia, bem torneada e mal acondicionada em uma minissaia a vácuo.
Fui ao delírio.
Se o breve contato não tivesse arrebatado meus sentidos, juro que teria pedido desculpas por tamanha ousadia. Foi sem querer, mas confesso que gostei demais pacas. E, se eu gostei e ela não reclamou, por que se desculpar de um gesto tão inocente quanto necessário?
Segui imaginando mil coisas. O que seria eu capaz de fazer, tivesse a chance de cruzar novamente aquele corpinho mignon. Divinamente escultural. Meu Deus! De quantas formas eu seria capaz de dizer te adoro? ... A ela, é claro e, sem ofensas.
Passei por ela no corredor e não fui capaz de levantar os olhos.
Acho que o enorme peso na consciência foi o que não me deixou erguer a cabeça para encará-la de frente.
Peso que cessou totalmente quando ela saltou no mesmo ponto que eu e, por ironia do destino, meteu a chave na fechadura, no exato momento em que toquei a campainha do apartamento da Tina.
Entramos juntos em casa e a Tina “só sorrisos” gritou da porta semi-aberta do quarto, tendo a blusa ainda por vestir:
— Seja bem vindo, Dinho! Vejo que você já teve a oportunidade de conhecer a Lola...
— Na verdade, ainda não fomos formalmente apresentados, Tina — E, apenas para mim mesmo, concluí:
— Apesar de já conhecer profundamente a intimidade dela... Só na imaginação, é claro!
— Pois é — tornou a Tina — Dividimos apartamento a mais de um mês. Nem deu tempo de te contar no whats. Espero que você não se sinta constrangido de ficar aqui com a gente e tals.
— Claro que não. Sem problemas. — E só para mim, novamente: — Minha mão vai adorar ter assim tão perto o objeto de seus últimos anseios...
...
Devo confessar que não sabia o quanto a timidez me dominava até ficar ali, estranhamente parado diante de tanta beleza.
Isso aconteceu mais tarde. Foi quando o sono me faltou e saí no meio da noite para tomar água, sei lá.
Ela também sentiu sede. Estava parada em frente à geladeira com um copo meio vazio nas mãos.
A cena soaria natural, não fosse o fato de ela estar com a camisola em desalinho, o que deixava à mostra toda a sua calcinha... Ela se virou de repente quando cheguei à porta e ficamos ali, nos admirando mutuamente. Não pude evitar, tive que passear meus olhos por aquelas curvas em que já me aventurara a roçar a mão.
Incrível!
Ela ali, seminua.
Eu movido por pensamentos nada puritanos, entretanto, estático.
Bastava um passo e eu tornaria reais, os sonhos que me embalaram todo o dia.
Entrei em desespero ao perceber que ela começava a romper o encanto, abaixando lentamente a ponta da camisola.
— Não, não. Nãaaaaaaaaaaao! Por favor... — meus olhos gritavam em silêncio — Lola, não me roube o prazer de contemplar a luz. Eu preciso que este minuto dure uma eternidade para...
Um riso estridente varou seus lábios.
— Jura que é só isso? — disse ela. — Você me devorou “tal Caetano” o dia inteiro para encerrar a noite nesta muda contemplação?
Acho que é isso...
Dei de ombros.
Estou condenado a deixar escapar grandes chances. A menos que...
— Lola, eu acho que não estou me adaptando bem a essa cidade. Quando eu era pequenino, sempre que viajávamos mamãe mergulhava meu rosto em seu colo até eu pegar no sono na primeira noite. Só assim eu conseguia dormir tranquilamente. Será que você não poderia...
Era para ser só uma temporada breve...

To passando aqui pra dizer, BELO TEXTOOO!
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