
Elijanique Savil
Ontem
minha voz era um grito!
Hoje,
num sopro apenas
tento ecoar
meus pensamentos.
Tenho gana de viver.
Quebrar barreiras.
Saltar muralhas,
mas o corpo já não obedece.
Ontem
eu olhava,
meu filho emudecia
e só escutava.
Hoje,
sem escrúpulos
ele grita.
Ralha comigo,
como se
aos oitenta e muitos
eu tivesse voltado
a ser o filho.
Filho!
Filho do filho
que embalei.
Cuidei pacientemente.
carreguei nos braços,
ensinei a caminhar.
Hoje,
ele reclama
que estou lento!
O que ele não entende
é que
as alterações
em meus traços físicos
e as marcas em meu rosto
não fazem de mim
um Velho.
velho é algo descartável!
Não sou antigo,
sou experiente.
Tenho história.
Reconheço:
Talvez eu já não seja
mais corpo.
Mas ainda sou
muito mente!