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O CASAMENTO DA ROSINHA, PARTE II – A VEZ DA MIMOSA.



Ps.: Peça produzida para encenação na quadrilha da escola Clodoaldo Splícigo, ano 2018. 
Texto de Elijanique Savil.
Produção e direção de Sérgio Basto



ELENCO:
NARRADOR=
ROSINHA=
MIMOSA=
TIÃO=
ZÉ DA PORCA=
VÔ DE ROSINHA=
PADRE=

NARRADOR:
Meus cumpadi e minhas cumadi, óia eu aqui traveis!
O causo da rosinha, quero contá de novo proceis.
Óia que fais muito tempo des da nossa úrtima prosa. 
Rosinha nesse tempo pariu, uma fia de nome mimosa.
O marido preguiçoso, que ela naquele dia arrumô,
passô a vida na rede, até que o Senhô o levô.

ROSINHA:
Ai meu Jesus Cristinho! Que vida dura que vida!
Que que eu fiz pra merecê uma história tão sofrida.
Sonhei tanto ir pra Paris, dança cartri e disfilá.
E acabei ca barriga no tanque, tanta ropa pra lavá.
Aquele traste imprestável que arrumei pra marido.
De herança só me dexô, a fia que carrego comigo.

MIMOSA:
Ôxe minha mãe se aquiete, num se lamente desse jeito.
Que meu pai a vida toda, foi um marido perfeito.
Que curpa que tinha ele de num sabe trabaiá direito?
Levante as mão pro céu que nosso sinhô te ajudô
Bem o mal, não importa. Um marido arrumo pra sinhora.
Sina triste tenho eu, que num acho ninguém onde vô.

NARRADOR:
Óia, veja, meus cumpadi. Comé que o causo se dá.
Ao contrário da Rosinha, a mimosa qué casá.
Mas apesá de sê moça boa, trabaiadera e direita,
Os moço num gosta dela, porque ela num é perfeita.
Tem uns dente faiado e umas trancinha estranha.
E é mirrada a coitada. Não tem um pingo de banha.

MIMOSA:
Oi Tião. Quero fala cocê. Fais tempo que tô te oiano.
Tá sempre tão sozinho, rejeitado pelos canto.
Tão parecido comigo. Nois podia acaba casano.
Eita que ia dá uma história boa demais da conta,
O nosso casamento, pra essas banda do sertão.
Ocê concorda comigo? Vamo casá então?

TIÃO:
Se aquieta menina Mimosa. Que anda muito assanhada.
Vivo sozinho porque eu quero. Cum casamento num quero nada.
E se mermo quisesse casá, num haveria de sê
Cum uma moça tão mirrada. Não é?
Tô de zóio na Violeta. Do corpo de violão.
Aquela sim é muié, pra se casá cum Tião.

MIMOSA:
Fala aí seu zé da porca. Como é que tem passado?
Eu tava reparando, o sinhô ali do lado.
Separô da Margarida. Em setembro recente,
Desde então tá sozinho. As volta cum essa viola.
Num vejo o sinhô com ninguém passeano.
Também tô sempre sozinha, nois podia acaba casano.

ZÉ DA PORCA:
Ora, veja minha gente, a audácia da menina.
Isso é proposta que se faça, sem nem tê a minha estima.
Casamento é coisa séria. Não se ajusta desse modo.
Né igual uma porca que compra, só vendo os dente e as gordura.
Eu tinha que observá a moça, pra num cometê o engano,
Que tive cum Margarida, e arruinô tudo os meus plano.

NARRADOR:
E assim foi a Mimosa, em todo canto do arraiá,
Procurando um marido, pra ela podê casá.
Como num encontro ninguém. Acabô mudano de ideia.
Foi pra cidade, estudô e vortô.
Foi uma fila de homem na porta que o vô dela por precaução.
Decidiu que ela tinha que arrumá uma união.

VÔ DE MIMOSA:
Ói minha neta eu decidi que ocê tem que se casá.
Na minha terra moça direita, solteira não vai fica.
Foi assim cum sua mãe. Porque insisti e briguei.
Arrastei ela até o artá, pra casá foi mermo a força.
Vai ser tamém cum ocê, já começa a dá seu jeito.
Eu pensei no Tião, moço bem bão e direito.

MIMOSA:
Arre vô, cum Tião eu num caso. Num quero ele prá marido.
Ele já veio atrás de mim. Mas já lhe dei um perdido.
Quando eu queria casá, ele me chamou de feia.
E antes que o sinhô invente, de falar cum Zé da porca.
Já deixo claro que com ele num caso
Nem mermo depois de morta.

VÔ DE MIMOSA
Arre! Eu já disse que casa. E casa cum quem eu quisé.
Num tá veno que num vô aceitá, sê mandado por muié?
Num tinha pensado nele, mas já que ocê me contrariô,
O noivo vai sê ele mermo. Ou eu num so mais seu vô.
Trato hoje do casamento e amanhã quero tudo arranjado.
Nem que seja na mira da doze, amanhã seis dois tão casado.

ZÉ DA PORCA
Óia, escuta seu menino. Que eu num caso cum a Mimosa.
E num é pela aparência dela. Que ela até que tá vistosa.
Mas eu já observei ela. Coisa que não fiz cá Margarida.
Sem estuda a mimosa já era um perigo.
Festera e assanhada, namoradeira e atrevida.
Mas se é na mira da doze. A gente tenta fazê a vida.

PADRE:
Então se achegue minha gente. Simbora, venha pra cá.
Que os noivo está no jeito. De joei no pé do artá.
Traz pra cá as aliança. Faz as promessa e se aviem.
Zé da porca, Mimosa, olha pra cá e responda:
Ceis aceita um ao outro pra protege e amá?
declaro marido e marida e vamo tudo pro arraiá.

O Substituto

Naquele dia os alunos estavam mais ruídosos que o normal. Ele bem que ensaiou uma ou outra arrancada inicial no conteúdo programático da d...