Elijanique Savil
Trabalhando com a crônica "Antigamente", de Carlos Drummond de Andrade, pedi uma transliteração da história para os dias atuais e tenho que compartilhar aqui dois dos resultados obtidos. todas as produções ficaram incríveis, mas esses...
Bem, esses ficaram sensacionais:
ATUALMENTE I
Atualmente as menina são chamadas de "Mina", e são todas bichão memo! e muito tocha! Não completam primavera, as novinha faz é "níver", tio! O cara nem é gatinhoe fica dando em cima das mina. Aí as mina dão um fora e eles se desiludem porque hoje em dia o bagulho é doido memo! Eles desencanam, enchem a cara e tomam um porre. Logo a fila anda e eles trocam de nega. As pessoas dão no pé quando percebem que tão atrasadão, cara.
E é porque é, porque é memo. E tá todo mundo se fudeno porque compartilham essas porra de "Fake News". Tipo assim, os tiuzinho de hoje em dia, "doido", tão mais viciado em celular do que maconheiro. E, por falar nisso, o que não falta é Zé droguinha pra iludir as menininhas! Chaé, chaé, mano. Falei.
(Créditos para Natielly Mazito)
ATUALMENTE II
Atualmente as minas chamam-se "minas" e são todas folgadas e desleixadas.
Não esperam dezoito primaveras e já engravidam. Geralmente na décima quarta primavera, tio!
Os playboy, mesmo não sendo 10/10, pedem pra ficar com elas. E se levam um fora, o remédio é Tequila e Vodka, depois da esquina.
As pessoas correm memo é da polícia, tio! Pra levar fama de Zé droguinha. Algumas minas se fingem de besba, mas é pior do que véia esperta. O que não impede de se envolverem com os mano e escutarem ladainha.
Os véis de hoje em dia é mais viciado no celular do que os novinhos da praça. Antigamente os mano sonhavam em se casar, hoje em dia, sonham pra novinha ser boa no "vamo lá"!
(Créditos para Sabrina Camargo Brigato)
Top, top essas crônicas!
Anexo a seguir o original...
ANTIGAMENTE
I- ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficava longos meses debaixo do balaio. E levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era de tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro.Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não empedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava manta e azulava, dando às de Vila-diogo. Os idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n'água.
[...]
(Carlos Drummond de Andrade)
