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Aborto poético

Elijanique Savil


As vezes a lembrança choca.

Telas pintadas
à tinta e pena
já não prendem a atenção.

Pensei não existir
mais suave poesia
que o som da letra a deslizar
no papel da composição.

Grande engano. 

Existia.

Existia o brilho
reluzente no olhar
daquela que na vida 
teve a sublime
capacidade de criar.

Gerar.

Nutrir.

Amamentar.

Sem nascimento
é nula a poesia.

Morre a emoção
no ventre seco
como a terra
que ao sertanejo
não oferece provisão.

Vejo morrer lentamente
a sonhada poesia
toda vez que a semente
é no ventre interrompida,
ou no solo 
infértil do coração 
torna-se reprimida.

Sobrevive 
a poesia 
do verde que colore 
a divina plantação;
do ninho novo 
que sustenta
o colorido pássaro
que subindo cantará 
o som da libertação.

Rescende à poesia
os rios na piracema
e o choro faminto do filho
em sua primeira aparição.

2 comentários:

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