As vezes a lembrança choca.
Telas pintadas
à tinta e pena
já não prendem a atenção.
Pensei não existir
mais suave poesia
que o som da letra a deslizar
no papel da composição.
Grande engano.
Existia.
Existia o brilho
reluzente no olhar
daquela que na vida
teve a sublime
capacidade de criar.
Gerar.
Nutrir.
Amamentar.
Sem nascimento
é nula a poesia.
Morre a emoção
no ventre seco
como a terra
que ao sertanejo
não oferece provisão.
Vejo morrer lentamente
a sonhada poesia
toda vez que a semente
é no ventre interrompida,
ou no solo
infértil do coração
torna-se reprimida.
Sobrevive
a poesia
do verde que colore
a divina plantação;
do ninho novo
que sustenta
o colorido pássaro
que subindo cantará
o som da libertação.
Rescende à poesia
os rios na piracema
e o choro faminto do filho
em sua primeira aparição.

Bela e triste poesia.
ResponderExcluirSim.
ExcluirTriste, porém dotada de um inexplicável encantamento que me moveu a alma...